Amarelado ele - Parte I

segunda-feira, agosto 22, 2016 Mundo Lilo 0 Comments

Quando a gente se conheceu era verão e a cor vinho cobria minha pele porque meu sangue borbulhava. Eu boiava em um mar turbulento sabendo do perigo, mas não me importando mais. Fui levada para terra firme, pelo garoto despreocupado que de passagem, de bobeira, me perguntou, vamos pra um lugar mais calmo (pra você)?


Entre a gente as coisas aconteciam de forma natural. Ele me disse uma vez que toda vez que me via sentia frio na barriga, o tirava da monotonia, o despertava. Comigo era o contrário. Vê-lo sempre me trouxe calma e paz. Conforto. Pausa da minha agitação interior. Por isso, que dava tão certo.

A gente ouvia música o tempo inteiro e quando eu tocava seu rosto me sentia próxima de um futuro bonito. Nosso primeiro beijo foi sem perceber. Só aconteceu. Quase coreografado, no mesmo tempo, naturalmente, um imã, um beijo, uma lentidão no tempo que depois acelerou as horas para a despedida que não deveria existir, pois o instante é tão especial, que no fundo a gente sabe que não vai acontecer de novo. Pois aconteceu em todas as vezes que nos vimos, e cada vez mais real e brilhoso. Nossas mãos quase nunca se tocavam e hoje entendo motivo. 

E teve aquele dia que eu falei duas vezes, e perdi a voz, desisti. Ele virou o rosto que dizia não se importar. Eu virei o corpo inteiro, disse, não quero mais, e desliguei o telefone quando cheguei em casa. Dia seguinte, ele tinha sol nos sapatos e eu uma certa paz de não ter mais um garoto tão despreocupado comigo. Eu preferi não ficar pensando a respeito, porque eu sabia que fazia falta, mas sentimentos não adiantam de nada sem atitude, nesses casos a gente ignora, até eles sumirem. Passou, e ele me ligou dizendo que sentia saudades. Eu já não sentia nada. Era tarde pra isso. 

Você pode gostar também

0 comentários: