quinta-feira, junho 23, 2016

Sobre aquele dia lá.

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    Ele tinha uma postura rápida, e eu sou do tipo que observa, mas que só expande no impulso. Mas quando a música tocava, confesso que era a primeira a tirar os sapatos e voltar descalça pra casa. Nesse quesito, ele era mais cauteloso do que eu, retornava com os meus calçados e os dele também.

- Segunda vez que você esquece a sandália debaixo da mesa.
 
  Descíamos a avenida enquanto todos dormiam, eu ainda tinha resto de música do corpo, e sabe que quando isso acontece ela precisa sair. Rodopiava na rua enquanto ele sorria meio constrangido. Sei lá vergonha de quê. Mas até entendo porque também sou tímida, só que meu mundo interno é grande demais, daí ele escapa de mim. Eu deixo.

- Calça as sandálias.

Lembro que nesse dia eu as joguei em um contêiner de lixo. Quero andar descalça mesmo, no asfalto, com o vestido deslizando no pé. Me deixa, que no momento eu não ligo, eu sou um pedaço de vento, eu deixei de ser mundo, eu sou um universo, uma explosão se acalmando, voltando pra casa. Eu sou muito livre e confortável dentro de mim. Eu me sou o lugar mais incrível para se estar.

- Respira Ray.
- Solta Charles.
- Meu corpo tá a frente , mas minha alma tá junto da sua.
- Blues hoje não meu amor. Hoje estou mais para jazz.

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