Sol Marinho

terça-feira, fevereiro 24, 2015 Mundo Lilo 1 Comments

Os talheres bateram com força suave sobre os pratos. A conversa prosseguiu, mas aquilo me interrompeu. Aquele barulhinho. Como o som que fez nascer o mundo. Como sinos que anunciam o nascimento das fadas. Como o amarelo do céu queimando as asas dos pássaros miúdos. E feito bolas gigantes de borracha e tinta acrílica, um envolto no egocetrismo do outro, pulavam e se tocavam destrambelhados. Não percebiam a orquestra de metal e louça. Silenciei-me. Eu que sempre tenho algo absurdo a dizer, quietei-me como em reverência aos músicos inanimados. 


Olhou-me de canto – aqueles olhos poderiam ser da cor que quisessem, poderiam ser laranjados com roxo, que ainda assim o brilho que eles tinham seria o assunto principal da mesa que parecia querer jogar sua toalha no chão e usar suas quatro pernas para dançar com os jovens.  Nos entendemos sem precisar dizer a que viemos. Eu que tenho Lua em Câncer, uma maternal de calças jeans e sapatos vermelhos,  o acolhi como se fosse meu filho, mesmo ele sendo um bocadinho mais velho que eu.  Talvez só em idade. Notei que a presença dele era movimentada, pois me senti descalça correndo entre os lobos, ao mais suave movimento de suas mãos que gesticulavam expressivas. E gostei.  Coloquei a culpa no meu ascendente em aquário. O amor nasce rápido, quando tem que ser. 

Com os pés apontados para a Lua, pulei de cratera em cratera procurando minha essência tanto tempo censurada. Lunática, é eu sou mesmo, graças a Deus. Isso quer dizer que você ou vai dar muito certo, ou vai dar muito errado, alguém me diz. Preferi nem pensar a respeito. Me senti elogiada e ofendida demais para responder. Mas a verdade é que algo entre nós me preocupava. Sabíamos o destino dos de espírito indomável. É um destino curto e bem vivido. Nego minha natureza constantemente, mas ela transborda, e sou descoberta quando achava que nem mais assim era. Ele me ensinou a tocar uma música do Pearl Jam. Tom em  Sol. (Lá) vem outra música (dó)urada, pensei. Vários sóis cintilavam nas cordas, e faziam brilhar os olhos das visitas. Algo muito louco nasceu ali. Me veio um aprendizado como um baque. Caí na real, e não doeu nem um pouco. Meus motivos até hoje ainda não eram meus.  Não era um sentimento maior ou menor.  Era algo sustenido, eu diria. Christopher McCandless, sua história mexeu comigo, cara.

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Um comentário:

  1. Adorei o post!
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